Diário de uma viciada

Conversinha

Conversinha

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Madrugando

Um dia desses, resolvi: “vou correr de manhãzinha, não quero nem saber”. Okay. Disse isso, mas no dia seguinte acordei, olhei para o lado, virei, e continuei babando. Um outro dia, a mesma ideia voltou a matutar. “Vou correr de manhãzinha haja o que houver”. Mais uma vez, virei para o lado e dormi.

Nesta semana, olhei bem decidida para mim mesma diante do espelho e disse: “cara, é agora ou nunca, heim?”. No dia seguinte, não virei para o lado. Os meus olhos se abriram num estalar e nem dei tempo para a minha mente planejar qualquer sabotagem. Já havia preparado a roupinha na noite anterior. Os tênis enfileirados na ponta da cama, de modo que eu sequer tivesse trabalho para buscá-los dentro do armário, diminuíram bastante a preguiça de viver que sinto pelas manhãs.

Saí de casa ainda no escurinho, meio confusa, meio deserta. Estava incrédula por realmente agir como eu queria agir. Tudo bem, botei os bofes para fora durante os 47 minutos de corrida. Cheguei correndo (quase literalmente), tomei banho e fui viver o dia. Quando voltei, sei lá, 12 horas mais tarde, cansada, vivida, pensei: “putz, que cansaço”. Rapidamente reformulei: “nossa, que agitação boa eu passei hoje”. A moleza era por parar, aquilo era ruim. A agitação, não.

Não tirei fotos porque, né? De manhã eu não sou ninguém. Não era, pelo menos.

“Tomo banho de orvalho de manhã” Manoel de Barros